Lições para o Judas que há Dentro de Todos Nós


Na morte, Judas deixou de fazer a necessária conexão entre remorso e arrependimento, assim como fizera na vida. Ele nada aprendera dos anos que passara com Jesus. A trágica escolha de dar fim à vida, em vez de confessar seu pecado e buscar perdão, simplesmente consumou a hipócrita vida dupla que Judas já cultivava havia meses. No final, Judas morreu como sempre viveu, emaranhado num secreto caso de amor com o pecado.

Judas será sempre lembrado como o mais hediondo traidor de todos os tempos. Contudo, é  tolice pensar que esta história não pode tornar-se a nossa. A despeito de todas as vantagens que ele desfrutou em razão de uma associação próxima com Jesus, o jovem e promissor discípulo tornou-se um monstro possuído por satanás. Se achamos que jamais nos tornaríamos alguém tão desprezível, deixamos de dar ouvidos à advertência das Escrituras. O pecado secreto é um assassino que não faz distinção entre pessoas, e aqueles que acham que estão imunes são os mais vulneráveis de todos.

Quatro princípios atemporais, dignos de nossas considerações, surgem a partir do trágico exemplo de Judas.

Primeiro, a associação com o que é espiritual não garante que nos tornaremos pessoas espirituais. Pertencer a uma igreja sadia e cultivar relacionamentos com pessoas espiritualmente maduras devem ser prioridades. Precisamos de influências saudáveis. Contudo, a simples associação com crentes maduros não nutrirá a alma, do mesmo modo que simplesmente sentar-se à mesa não nutrirá nosso corpo. Para ser mais sábio e nos desenvolver espiritualmente, devemos incorporar pessoalmente aquilo que Jesus ofereceu. Para que isso ocorra, devemos submeter-nos à verdade que recebemos por meio de sua Palavra. Se não for assim, enganaremos a nós mesmos e nos tornaremos nossos piores inimigos. Uma curiosa estrofe de um poema inglês diz tudo:

Até hoje como sempre ocorreu,
O homem por si é avaliado;
Por trinta moedas Judas vendeu
A sim mesmo, não a Cristo.

Segundo, a corrupção moral em segredo é mais mortal que a corrupção moral visível. Não há câncer mais mortal do que aquele que não é detectado. O mesmo é verdade em relação ao pecado. Manter a nossa natureza pecaminosa cuidadosamente escondida nos impede de aplicar o remédio que Jesus forneceu por meio do dom da salvação. Um de seus discípulos escreveu mais tarde: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda a injustiça" (1Jo 1.9). Deixar de confessar  e receber perdão nos força a lidar com os efeitos mortais do pecado de uma maneira que certamente causará mais dano depois. No caso de Judas, isso lhe custou a vida.

Terceiro, Satanás e seus demônios estão procurando qualquer oportunidade para trabalhar contra o Senhor. Várias passagens das Escrituras ensinam que a pessoa que carrega pecados não resolvidos dentro de si é um vaso perfeito por meio do qual Satanás pode atacar as pessoas e os planos de Deus (Gn 4.6-7; Ef 4.25-27; 5.15-16; 1 Pe 5.6-8). No início, a pessoa parece estar imune, mas depois que Satanás provocou todo o dano que poderia realizar através dela, então permite que a pessoa seja consumida pelo pecado que carrega.

Quarto, nenhuma tristeza pode comparar-se ao remorso de alguém que descobre tarde demais que não entendeu as palavras de Jesus e desprezou o seu amor. A principal ferramenta de Satanás é o engano, que ele usa para torcer pecados não resolvidos e motivação egoísta de modo que sirvam a seus propósitos. Uma vez que tenha acabado de usar alguém, ele cruelmente desmascara a verdade para revelar as consequências das escolhas estúpidas feitas pela pessoa. Pode ser muito difícil suportar o fluxo de vergonha, humilhação, arrependimento, autocondenação e desespero.
Jesus, em contrapartida, disse (e continua a dizer): "Se vocês permanecerem firmes na minha palavra, verdadeiramente serão meus discípulos. E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará" (Jo 8.31-32).

Permita-me perguntar... como você se posiciona em relação a tudos isso?



Extraído da obra Jesus O maior de todos - Charles R. Swindoll
Foto: Reprodução internet






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