Encorajamento por Meio do Sofrimento


Nossa perspectiva histórica permite-nos ver com clareza o que muitos da época de Jesus não puderam ver. Mas ele sabia melhor que qualquer pessoa que julgamentos eram um ardil, nada mais do que maquinações de homens corruptos que, com ciúme, guardavam o seu poder. Para piorar as coisas, eles revestiram seu comportamento ultrajante das augustas vestes da pureza religiosa. Quão patéticos devem ter parecido aos olhos da divindade!

  As autoridades religiosas foram bem-sucedidas em transformar Jesus no vilão e aceitar o aplauso - e até mesmo a admiração - de um público imprudente. Elas foram bem-sucedidas em encobrir seus passos de modo que ninguém visse sua impropriedade, seu desejo de poder e sua vergonhosa conspiração para destruir um indivíduo inocente. O povo hebreu também não viu as impressionantes bênçãos que estava perdendo ao matar seu Messias. Ninguém jamais saberá de que maneira o plano de Deus se teria desdobrado caso eles tivessem abraçado a Jesus.
  Muito poucas situações da vida são mais frustrantes que sofrer injustiça sozinho e sem ser notado. Os sentimentos de ira exigem justiça. A amargura exige vingança. O desespero clama ao céu em busca de alívio. A solidão brada para ser ouvida enquanto um mundo que apenas olha se mostra indiferente. Durante esses momentos obscuros, dolorosos e solitários, o silêncio do céu pode ser ensurdecedor.
  Se essa é sua experiência atual, descanse na segurança de que você não está sozinho. O Senhor de fato vê o seu sofrimento e não permitirá que ele aconteça sem ser respondido. Ele verá a justiça sendo feita, embora talvez não no momento nem como você preferiria. Todavia, a agonia que você sofrer, embora pareça sufocante, não será desperdiçada. Se você permitir, essa experiência pode ser o meio pelo qual Deus venha a lhe trazer as maiores bênçãos. George Matheson expressou isso muito bem em seu livro Thoughts for Life´s Journey [Pensamentos para a Jornada da vida]:


Alma minha, não rejeites o lugar da tua prostração! Ele sempre foi o quarto de vestir que leva à realeza. Pergunta aos grandes do passado qual foi a origem de sua prosperidade, e eles dirão: "Foi o chão frio onde me deitei". Pergunta a Abraão, e ele apontará para o sacrifício no monte Moriá. Pergunta a José, e ele te levará ao seu calabouço. Pergunta à Moisés, e ele dirá que sua fortuna remonta ao perigo que passou no Nilo. Pergunta a Rute, e ela te pedirá para construir um monumento no campo da sua labuta. Pergunta a Davi, e ele dirá que seus cânticos vieram da noite. Pergunta a Jó, e ele te lembrará que Deus lhe respondeu no meio do redemoinho. Pergunta a Pedro, e ele enaltecerá o dia em que afundou nas águas. Pergunta à João, e ele te mostrará Patmos. Pergunta à Paulo, e ele atribuirá sua inspiração à luz que o deixou cego. Pergunta apenas a mais um: o Filho do homem. Pergunta-lhe donde vem sua autoridade sobre o mundo. Ele responderá: "Do chão frio onde me deitei - o chão do Getsêmani. O cálice que tu, satisfeita, farás passar de ti será tua grinalda no doce porvir. A hora da tua solidão te coroará. O dia da tua opressão te regalará. É o teu deserto que irromperá com cântico; são as árvores da tua floresta silenciosa que baterão palmas...

  A voz de Deus na tua noite será esta: "Teu tesouro está oculto no chão frio onde deitaste".

  O apóstolo Pedro colocou-se a distância, vendo seu Mestre suportar a maior injustiça que já havia sofrido. Ninguém era mais inocente que Jesus. Poucos foram mais hipócritas e corruptos que Anás e Caifás. Talvez refletindo sobre como Jesus se comportou durante aqueles momentos horríveis, Pedro mais tarde escreveu aos cristãos perseguidos: "Pois, que vantagem há em suportar açoites recebidos por terem cometido o mal? Mas se vocês suportam o sofrimento por terem feito o bem, isso é louvável diante de Deus" (1Pe 2.20).
  Quais são as mensagens para nós, vinte séculos depois? Pare de tentar ser ouvido. Não espere reconhecimento. Fale a verdade, em amor e apologia, a todo aquele que estiver disposto a ouvir. Esteja ciente de que sofrerá por fazer isso. Então, de maneira calma e tranquila, submeta-se à soberana vontade de Deus.
  Jesus aceitou o fato de que não receberia justiça dos homens. Ele sabia que o mundo de então - assim como o de agora - era dominado pelo pecado e governado por pessoas decaídas. Sendo assim, ele não procurou as cortes para fazer justiça nem a aprovação das pessoas para receber afirmação. Em vez disso, submeteu-se à vontade do Pai. Ele falou a verdade e recusou-se a permitir que a ira e a amargura impedissem alguém de vê-la - caso realmente quisesse vê-la. Durante todo o seu sofrimento, Ele se entregou àquele que, de maneira final e inevitável, julgará toda alma com justiça. Que magnífico modelo a ser seguido!

     
Extraído da obra Jesus O maior de todos - Charles R. Swindoll
Foto: Reprodução internet  


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