Adorar em Espírito e em Verdade!
A revolta moderna contra o anseio pelo prazer cristão tem matado o espírito de adoração em muitas igrejas e muitos corações. A noção difundida por vários lugares de que atitudes corretas devem estar desprovidas de interesse pessoal é a grande inimiga da verdadeira adoração. A adoração é a ação mais virtuosa que um ser humano pode realizar; portanto, a única motivação que muitas pessoas podem imaginar para ela é a noção da realização de uma obrigação de forma desprendida. Mas quando a adoração é reduzida a uma obrigação sem expectativa de ganhos ou compensações, ela deixa de ser adoração. Pois a adoração é o banquete das perfeições gloriosas de Deus em Cristo.
Deus não é honrado quando celebramos os maravilhosos dias de nosso relacionamento com Ele por causa de um simples senso de dever. Ele é honrado quando aqueles dias são o nosso prazer! Portanto, para honrar a Deus na adoração nós não devemos buscá-lo desinteressadamente, com medo de receber algum prazer na adoração e assim destruir seu valor moral. Ao invés disso, devemos buscá-lo de forma prazerosa, do mesmo modo que a corça anseia pelas correntes das águas, exatamente pelo prazer de ver e deliciar-se em Deus! A adoração é simplesmente a obediência ao mandamento de Deus: “Deleita-te no Senhor” (Sl 37.4 NVI).
A noção equivocada do que é virtude sufoca o espírito da adoração. A pessoa que tem uma convicção ainda que vaga de que superar seus interesses pessoais é uma virtude e que buscar o prazer é um defeito, raramente conseguirá adorar. Pois a adoração é a atividade mais prazerosa da vida e não deve ser destruída por sequer um pensamento de desinteresse. O grande obstáculo à adoração não é o de que somos pessoas que buscam o prazer, mas de que estamos dispostos a nos contentarmos com prazeres medíocres.
Todos os domingos às 11:00 da manhã, o versículo de Hebreus 11:6 entra em combate com o conceito geral de que não buscar seus interesses pessoais é uma virtude: “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam”. Não é possível agradar a Deus sem buscar gratificação nEle! Portanto, a adoração que agrada a Deus é a busca prazerosa por Deus. Ele é a recompensa, que supera a grandeza de tudo o mais. Na Sua presença há plenitude de alegria, e à sua
destra delícias perpetuamente. Satisfazer-se com tudo o que Deus é para nós em Jesus é a essência da experiência de adoração autêntica. A adoração é o banquete do prazer cristão.
Considere três implicações da adoração na igreja.
Primeiro, o verdadeiro diagnóstico da adoração fraca não é o de que as pessoas vêm para receber e não para dar. Muitos pastores corrigem seus membros, dizendo que os cultos de adoração seriam mais vivos se as pessoas viessem para dar ao invés de receber. Mas existe um diagnóstico melhor.
As pessoas devem vir para os cultos nas igrejas para receber. Elas devem vir famintas por Deus. Elas devem vir dizendo: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma” (Salmo 42:1). Deus é profundamente honrado quando as pessoas sabem que morrerão de fome e sede se não tiverem a Deus. E é o meu trabalho como pastor estender um banquete para eles. Eu preciso mostrar para as pessoas, através das Escrituras, do que têm fome – Deus – e daí alimentá-las até que estejam satisfeitas. Isto é adoração.
Segundo, encarar a essência da adoração como satisfação em Deus fará a adoração da igreja algo radicalmente centrado em Deus.
Nada faz de Deus mais supremo e primordial do que as pessoas estarem absolutamente convencidas de que nada – nem mesmo dinheiro, prestígio, lazer, família, emprego, saúde, esportes ou amigos – trará satisfação a seus corações doentes a não ser Deus. Essa convicção produz pessoas que buscam a Deus com paixão aos domingos pela manhã.
Se o foco muda para o quanto oferecemos para Deus, ao invés de Ele se doar para nós, um dos resultados é que de repente não é mais Deus que permanece no centro, mas sim a qualidade do que oferecemos para Ele. Estamos cantando de forma digna ao Senhor? Os nossos instrumentistas estão tocando com uma qualidade adequada para ofertar ao Senhor? A pregação é uma oferta apropriada ao Senhor? Tudo isso soa nobre no início, mas aos poucos o foco muda da absoluta necessidade do próprio Deus para a qualidade de nossas realizações. Começamos até a reduzir a excelência e poder na adoração às técnicas artísticas usadas.
Nada faz de Deus mais essencial do que a convicção bíblica que a essência da adoração é uma satisfação profunda em Deus que vem do coração, juntamente com a convicção de que o motivo pelo qual estamos juntos nos cultos de adoração é a busca por essa satisfação.
Terceiro, o anseio pelo prazer cristão protege a importância da adoração ao nos fazer enxergar que o ato essencial do coração na adoração é um fim em si mesmo.
Se a essência da adoração é a satisfação em Deus, então a adoração não pode ser um meio para mais nada. Não podemos dizer para Deus: “Quero me satisfazer em Ti para ter uma outra coisa”. Isto significaria que não estamos satisfeitos em Deus, mas em outra coisa. E isso desonraria a Deus ao invés de adorá-Lo.
Mas, de fato, para muitas pessoas e muitos pastores, o acontecimento da “adoração” aos domingos pela manhã é tido como um meio de realizar outra coisa que não a adoração em si. Nós “adoramos” para levantar recursos; nós “adoramos” para atrair as multidões; nós “adoramos” para sarar as feridas das pessoas; nós “adoramos” para convocar trabalhadores; nós “adoramos” para elevar o moral da igreja; nós “adoramos” para dar a músicos talentosos a oportunidade de cumprirem sua vocação; nós “adoramos” para ensinar às crianças o caminho da justiça; nós “adoramos” para colaborar para que casais não se separem; nós “adoramos” para evangelizar os perdidos em nosso meio; nós “adoramos” para dar às nossas igrejas um sentimento de que somos a família de Deus, etc.
Em tudo isso nós diminuímos a Deus e a adoração. Sentimentos sinceros por Deus são um fim em si mesmos. Eu não posso dizer à minha esposa: “Eu sinto um grande prazer ao estar com você – para que você cozinhe uma deliciosa refeição para mim”. Não é dessa forma que o prazer para com a minha esposa funciona. Ele termina nela. Ele não tem em vista uma refeição deliciosa. Eu não posso dizer para o meu filho: “Eu amo jogar bola com você – para que você depois corte a grama do nosso jardim”. Se o meu coração realmente tem prazer em jogar bola com ele, isso não pode ser realizado como um meio de ele fazer algo para mim.
Eu não nego que a centralidade da adoração comunitária tenha milhares de resultados maravilhosos na vida da igreja. Assim como sentimentos sinceros melhoram um casamento, assim a adoração genuína também melhora a vida da igreja. O que quero dizer é que se adorarmos por esses outros motivos, a adoração deixa de ser autêntica. Manter a satisfação em Deus como algo primordial nos protege dessa desgraça.
Extraído da obra "Plena Satisfação em Deus", de John Piper.
Source: Benjamin Davies; Ariel Lustre




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