CARÁTER - Características Morais Básicas
O caráter é o que
verdadeiramente somos, comparado ao que parecemos ser. Você pode parecer
generoso, mesmo quando seu coração é avarento.
Caráter é
diferente de piedade. Quando falo em piedade, refiro-me a um relacionamento
pessoal com Deus. Já o caráter é a qualidade da pessoa. Mesmo assim, certamente
são inseparáveis; Deus está totalmente interessado no caráter, e há algo errado
se uma pessoa piedosa não possuí um bom caráter moral...
Ao considerarmos
o que é um bom caráter moral, vem-nos à mente a palavra virtude. Os antigos
gregos empregavam-na para indicar "excelência". Eu gostaria de
considerar a definição clássica de virtude como parte de nossa descrição de
caráter.
No catálogo
grego, havia quatro virtudes cardeais - quatro coisas sem as quais jamais se
deveria sair de casa. A primeira é o discernimento. A menos que você seja capaz
de discernir o que realmente acontece em uma situação, o que as pessoas sentem,
e o que é importante, sempre tomará decisões erradas. Minha teoria é que as
maiores disputas morais de qualquer época são as diferenças, não tanto em
teoria moral, mas no poder de discernimento. Esta virtude é a essência do
conselho de Paulo: " E não vos conformeis com este mundo, mas
transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual
seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus". (Rm 12.2).
A segunda virtude
é a coragem. É o poder de agir certo quando o ar está turbulento e as coisas
ficam difíceis. É ter o caráter de fazer o que é certo quando as coisas são
tentadoras ou dolorosas. É fácil ser mãe, quando o bebê sorri após o café da
manhã; é preciso coragem para ser mãe, quando a criança sofre de deficiência
física terrível e incurável. Coragem é a capacidade para agir bem face ao
perigo que lhe ameaça a vida, a segurança, o futuro, as coisas que lhe são
queridas. O Antigo Testamento é uma sinfonia de variações a coragem.
A temperança é a
terceira virtude. Significa estar no controle de sua vida. Administrar,
controlar, ser capaz de orquestrar tudo o que vai dentro de si. Claro, quando
falo de controlar a vida, não me refiro a um cristão que galopa na frente, à
sua maneira, esquecido do senhorio de Cristo. Uma pessoa temperada entrega a
Deus o controle e, em troca, aceita a responsabilidade genuína como um desafio
do Senhor. Uma pessoa moderada não deixa que as circunstâncias, as substâncias,
ou outras pessoas, a controlem. Como os demais dons do Espírito, a temperança
precisa ser praticada, a fim de não ser perdida.
A quarta virtude
é a justiça. Uma pessoa de justiça determina ser sempre justa, e nunca tratar
alguém diferentemente de outrem. É rejeitando questões como: " Que roda
está rangendo mais alto?" ou: "Quem me dará uma recompensa
maior?" O profeta clamava por justiça e declarava a causa de Deus contra
Israel: "Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor
pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a beneficência, e andes
humildemente com o teu Deus?" (Mq 6.8)...
Com o tempo, Deus
não lhe perguntará: "Quão feliz você foi?" Sua pergunta será: "Que
espécie de pessoa foi você?"
Aprofunde-se: Coração e Ética -
Deuteronômio 30.11-20; 1Reis 8.57,58; 2Crônicas 29.31; Salmos 141.4; Mateus
5.8; 6.21; Tiago 3.14
Extraído de "Características Morais Básicas" de Lewis Smedes, em Practical Christianity.
Foto: (Reprodução Internet)



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