A Fé de um Cristão em Meio as Perseguições
O Homem do Céu
Certa vez, preguei em uma
igreja no Ocidente, e um cristão me disse:"Faz muitos anos que oro
para que o governo comunista na China caia, para os cristãos poderem viver em
liberdade".
Não é assim que oramos!
Nunca oramos contra o nosso governo nem lançamos maldições contra ele. Pelo
contrário, aprendemos que Deus controla tanto a nossa vida como também o
governo que está acima de nós. Isaías profetizou sobre Jesus: "O governo
está sobre os seus ombros" (Is 9.6).
Deus tem usado o governo
Chinês para seus propósitos, formando e moldando seus filhos do jeito que acha
melhor. Em vez de focar as orações contra o sistema político, pedimos que, a
despeito do que acontecer conosco, estejamos sempre agradando a Deus.
Não ore pelo fim da
perseguição! Não devemos pedir carga mais leve, e sim costas mais fortes! Então
o mundo verá que Deus está conosco, capacitando-nos para viver de uma forma que
reflete seu amor e seu poder.
Essa é a verdadeira
liberdade!
Temo que, se a
perseguição acabar, fiquemos complacentes e acabemos adormecendo.
Muitos pastores europeus
e americanos me dizem que querem ver um grande avivamento. Perguntam-me
frequentemente por que a China passa por essa experiência, enquanto a maioria
do Ocidente, não. É uma pergunta difícil de responder, mas alguns motivos me
parecem evidentes.
No Ocidente, vejo
templos belíssimos, possuem equipamentos caros, carpete macio e sistema de som
de última geração. Posso afirmar, sem nenhuma sombra de dúvida, que a igreja
ocidental não precisa construir nem mais um único templo sequer. Edifícios
nunca trarão avivamento. Jesus declarou com toda razão: "A vida de um
homem não consiste na abundância dos bens que ele possui" (Lc 12.15).
O primeiro passo a ser
dado para que haja um avivamento é voltar à Palavra do Senhor. Nas igrejas
Ocidentais, falta a Palavra de Deus. Sei que há muitos pregadores e milhares de
fitas e vídeos com ensinamentos bíblicos, mas muito pouco desse material contém
a verdade cortante da Palavra de Deus. O que liberta é a verdade.
Falta não apenas
conhecimento da Palavra de Deus, mas também obediência a ela. Vejo pouca gente
agindo.
Quando o avivamento
aconteceu entre os crentes da China, o resultado foi milhares de evangelistas
enviados a todos os cantos do país, levando o fogo do altar de Deus com eles.
Quando o Senhor se move no Ocidente, parece que as pessoas querem parar e
desfrutar da presença e das bênçãos dele por tempo demais. Depois, constroem um
altar às suas experiências.
Uma pessoa só conhece as
Escrituras de verdade quando permite que elas transformem a sua vida.
Todos os avivamentos
genuínos do Senhor resultam em crentes agindo para conquistar almas. Quando
Deus se move realmente no coração de uma pessoa, ela não consegue permanecer
calada. Sentirá o fogo nos ossos, como escreveu nosso irmão Filemon: "Oro
para que a comunhão que procede de sua fé seja eficaz no pleno conhecimento de
todo o bem que temos em Cristo" (Fm 1.6)
Tenho visto, nas igrejas
ocidentais, pessoas adorando como se já estivessem no céu. Depois,
invariavelmente, alguém transmite uma mensagem de consolo como: "Meus
filhos, amo vocês. Não temam, estou com vocês".
Não me oponho a
essas palavras, mas parece estranho ninguém nunca ouvir a seguinte mensagem do
Senhor: "Meu filho, quero enviá-lo às favelas da Ásia ou às regiões
tenebrosas da África para ser meu mensageiro aos que estão morrendo em
pecado".
Multidões de membros das
igrejas ocidentais se satisfazem em dar o mínimo, e não o máximo, a Deus.
Observei homens e mulheres durante a entrega das ofertas nas igrejas. Abrem as
carteiras recheadas e procuram a menor nota para entregar. Esse tipo de atitude
nunca será suficiente! Jesus deu toda a sua vida por nós, e devolvemos a Deus o
mínimo possível da nossa vida, tempo e dinheiro. Isso é uma vergonha!
Arrependam-se!
Talvez pareça estranho,
mas chego a sentir saudade das ofertas que eu dava na China. Inúmeras vezes
ouvi o dirigente de uma reunião anunciar:
"Temos um novo obreiro que
vai partir amanhã para servir ao Senhor."
Imediatamente todos os
presentes tiravam tudo o que tinham nos bolsos e doavam. Com esse dinheiro o
obreiro comprava uma passagem de trem ou de ônibus e partia no dia seguinte.
Frequentemente esse
dinheiro era não somente tudo o que tínhamos no bolso, mas também tudo o que
possuíamos neste mundo.
O fato de possuir um
templo não implica necessariamente que a pessoa tem Jesus em sua vida. Para
muitas igrejas hoje, ele não é bem-vindo. Em Apocalipse 3.20, ele disse:
"Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a
porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo".
Esse versículo costuma
ser usado como convite à salvação, mas o verdadeiro contexto em que Jesus fala
é muito diferente. Ele está do lado de fora da igreja de Laodicéia, batendo na
porta e pedindo para entrar!
Claro que nem todas as
igrejas Ocidentais estão adormecidas! Notei um denominador comum a todas as
congregações fortes que visitei: compromisso firme e sacrificial com as missões
entre as nações não-alcançadas. Não me refiro apenas a esforços locais, nem a
tentativas de plantar igrejas em outras cidades do mesmo país. Falo de coração
ardendo de desejo de estabelecer o reino de Deus nas áreas mais carentes do evangelho
e dominadas por trevas espirituais em todo o mundo, lugares em que ninguém
nunca ouviu falar o nome de Jesus. Os que começarem a dedicar tempo, oração e
recursos para isso logo verão a bênção de Deus sobre o trabalho de suas mãos.
Depois de pregar, mandei
as pessoas ajoelharem no chão ao pé da cruz de Jesus, e elas choraram! As
lágrimas sempre vêm antes do verdadeiro mover do Senhor. Ele não derrama sua
bênção sobre carne impura e egoísta. A cruz tem de ser o centro de tudo.
Quem fizer tudo isso
verá o avivamento. Você se dispõe a entregar todo seu ser a Deus para o serviço
dele? "Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do
firmamento; e os que a muitos conduzirem à justiça, como as estrelas, sempre e
eternamente." (Dn 12.3)
Muitos cristãos me
perguntam também porque acontecem tantos milagres, sinais e maravilhas na China
e tão pouco no Ocidente.
Os ocidentais gozam de
uma boa vida. Têm seguro para tudo. De certa forma, não precisam de Deus.
Quando meu pai estava morrendo de câncer no estômago, vendemos tudo o que
possuímos para tentar encontrar a cura para ele. Ficamos sem nada e nossa única
esperança era Deus. Voltamo-nos para ele no desespero e vimos que, em sua
misericórdia, ele atendeu nossa oração e curou meu pai. Com isso, nossa fé
cresceu, e vimos muitos milagres.
Na China, os maiores
milagres não são as curas e outros fatos semelhantes, mas sim as vidas
transformadas pelo evangelho. Não pensamos que fomos chamados para seguir
sinais e maravilhas, mas acreditamos que estes nos seguem quando pregamos o
evangelho. Não fixamos os olhos neles, mantemos o olhar fixo em Jesus.
Os pastores das igrejas
domésticas da China estão preparados para morrer pelo evangelho. Quem vive
assim vê Deus realizar grandes coisas pela graça divina.
Texto extraído do livro:
"O Homem do Céu", escrito pelo irmão Yun com Paul Hattaway relatando
os tempos de torturas e prisões sofridas por proclamar o evangelho na China,
uma obra emocionante e impactante de como o povo de Deus tem sofrido para
segui-lo na igreja perseguida e os milagres alcançados.
Foto: (Reprodução internet).



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